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SPFW: balanço 5º dia

fevereiro 3, 2011

Do Estilista, Ana Salazar, Fause Haten, Jefferson Kulig e Lino Villaventura

Outro dia de relevos distintos. Explica-se: não há como equiparar o estilo triunfante do Lino Villaventura a nenhum outro. Pensando desta forma, vamos às diferenças que fazem do Marcelo Sommer, da Ana Salazar, do Fause Haten e do Jefferson Kulig, além do já citado Lino, exatamente aquilo que são.

Do Estilista

Marcelo Sommer, da Do Estilista, é outro que olha para si mesmo nesta edição. Estão lá o humor, desta vez sem acidez, as medidas amplas (algumas acrescidas de babados e inviabilizando uma silhueta aceitável), a capacidade de não ser óbvio em detalhes e cruzamentos de materiais, cores e estampas. Também estão de volta as amigas modelos e poderosas. Comprimentos longos e transparências sensuais, alternadas com a base de retrô inventivo e pitadas de século XIX, dão corpo à coleção. Sommer desarranjou o posicionamento da sala e dificultou a vida de metade da plateia que se contorcia para ver as garotas passarem.

Ana Salazar

A estilista portuguesa Ana Salazar adota florestas do seu país como fonte de inspiração, e vincula a roupa a questões ambientais no material de divulgação. O tema não é literal na roupa majoritariamente negra, embora evolua para camuflados e coloridos ao final, com boa alfaiataria. Além de elementos militares nos casacos, couro na jaqueta perfecto e vestidos, e têxteis brilhantes. Coleção competente, de linha contemporânea e apresentada sem as façanhas cênicas que marcaram o dia.

FH por Fause Haten

Para alguns o excesso vai bem. Para outros é necessário domar os arroubos. FH por Fause Haten desta vez não empunhou o microfone e soltou a voz. Tanto melhor. Com direção de Jose Possi Neto, o mis én scéne incluiu casal de bailarinos, um piano e ótimo make das garotas, transformadas em bonecas louras. Frias e ausentes como gostava Hitchcock, ou mais precisamente como Catherine Deneuve em “Belle de Jour” (Bela da Tarde), de Buñuel. Sem cores, estampas fulgurantes e misturas indigestas, a coleção tem transparências em negro e cristais à vontade. Regulada por shape sessentista, passou bem melhor que estações anteriores.

Jefferson Kulig

De execução complexa no detalhe e formas simples, a coleção do Jefferson Kulig faz a aposta que é dele: investigação futurista, têxteis inventivos e superfícies transformadas por estampas e aplicações meticulosas, desta vez com muitos metais. Não é diferente do que ele faz sempre. Em parte é coerência, em parte pode-se dizer que não reinventa seu repertório. Mas é sempre uma silhueta afiada, a dele. Longe de parecer envelhecida.

Lino Villaventura

E vamos ao Lino Villaventura, o homem dos grand finales. São dele as palavras: “Em um momento em que o simplismo e a banalidade imperam os sonhos, sempre vão perpetuar aqueles que se arriscam em sonhar”. Com esta ideia na cabeça (agora e sempre), Lino faz discurso pela inventividade, no caso dele, triunfante, e, desta vez, ainda mais dramática. O material de divulgação cita uma possível homenagem a Paulo Borges como tema. Mas o que chegou à passarela reúne todos os pontos fortes do estilista, entre excessos e sutilezas, em estado de exaltação, com muito preto e bordados luxuriantes ao final. A roupa espetáculo e de execução fina do Lino é sempre um momento luxuoso da moda nacional. Ninguém melhor do que ele para um fechamento do dia em clima ascendente.

Fotos: © Agência Fotosite

Fonte: Use Fashion

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